
Ser mãe é lindo. Aquela marquinha de vomito de leite no ombro da sua blusa preta, a mãozinha suja na meia calça, bem na altura do joelho... As pessoas tratando você na gravidez, como uma criança de cinco anos, e depois de ter o bebê no colo, como alguém que deveria saber de todos os mistérios do universo, incluindo amamentar.
E quando você começa tentar retomar sua vida sexual e seu marido não se interessa mais tanto por você? Você encontra mil desculpas – que são na verdade culpas: não sou mais desejável, minha barriga está flácida, meus seios caíram. Não, nada disso é um problema, é só a natureza. O que aconteceu é que você virou mãe e para algumas pessoas, deixou de ser um ser sexual.
Parece que o raciocínio básico das pessoas fica comprometido quando sabem que alguém já reproduziu. Para ser mãe você fez sexo. Por que é que não deveria continuar fazendo, tanto na gravidez quanto depois dela? E ao mesmo tempo começam a cobrar você por um irmãozinho. As pessoas sabem mesmo como bebês são feitos?
O sexo na gravidez, então, é tão importante... Você deixa de comer porque está grávida? Deixa de assistir TV? Deixou de passear? Não. Então, por que deveria deixar de transar? Um risco que você não corre é engravidar, então aproveite! Não dá para ficar nove meses sem sexo e depois querer voltar com uma vida sexual ativa e instigante. Você nem conhece mais, sexualmente, aquela pessoa que dorme ao seu lado.
As mães solteiras, então, parece que nunca mais vão poder namorar. Todo mundo cobra para que ela “pense na situação”. Olha, vou contar uma coisa para vocês: o que as mães solteiras – eu fui uma delas – mais fazem é pensar na situação. Normalmente se arrependem de ter transado com um cara que não foi decente nem para assumir o que fez. Outras vezes sentem-se aliviadas por mandarem o cara passear – como foi comigo.
Quando uma mulher se torna mãe ela acrescenta algo a si, elas não se transforma em outra coisa. Todos os sonhos, desejos, ambições ainda estão ali. E deveriam mesmo estar e é importante que estejam. Mulheres são seres completos e não é necessário fazer uma escolha para sempre. Dá tempo de mudar a qualquer momento.
A única coisa que não muda é que mulher não são seres feitos para cuidar dos outros mais do que homens. Não existe esse papo de instinto materno. Existem mulheres que sonham em cuidar da casa, existem mulheres que sonham em ser astronautas. São mulheres da mesma forma, uma não é mais mulher que a outra. São apenas objetivos diferentes. E isso também não garante que a mulher que quer cuidar da casa tenha vontade de ter filhos ou que a astronauta não tenha.
Somos seres integrais e devemos nos permitir sermos assim. Podemos fazer tudo, desde que as responsabilidades sejam divididas entre os responsáveis. Teremos muito mais tesão quando não estivermos exaustas. E se não tivermos tesão, também, tudo bem. Ninguém é obrigado a querer transar.
O importante é nos amarmos. É não cairmos nesse papo de que você é apenas mãe. É lembrar que temos nome e identidade. É não deixar nossos sonhos cairem no esquecimento. É criar nossos filhos para que ele vejam em você uma mulher incrível, além de uma mãe maravilhosa.
Lembre-se de quem você é além de mãe. Lembre sua mãe de que ela é uma mulher interessante, muito além da maternidade. E não dê um objeto para a casa de presente, por favor. Dê um presente para a mulher que você teve sorte de ter como mãe.