O que a raiva nos diz da relação?

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Quando algo está nos trazendo dor, de algum modo, ficamos com raiva. É uma forma de nos mantermos afastados da dor, de nos distanciarmos daquilo que nos fere de alguma maneira.  Para que haja raiva, não precisa que alguém venha, faça algo e nos machuque. A raiva também pode derivar da falta, daquilo que o outro não está fazendo, da falta da reciprocidade na relação, por exemplo, ou do desejo por uma maior atenção.

A raiva, apesar de ter um sentido, não precisa ser estimulada, entretanto, precisa ser aceita. Aceita no sentido de que deve ser levada em conta. É preciso pensar sobre ela e levá-la em consideração. Afinal de contas, ela indica que desejamos alguma mudança. Quando você está sempre estressada, sempre com raiva de alguma coisa, muito provavelmente quer dizer que algo do seu cotidiano está errado, algo que está em um lugar, você na verdade queria que estivesse em outro.

A raiva nos mostra que há algo mal resolvido, algo que precisa ser mudado. Muitas vezes, inclusive, temos raiva de nós próprios. Isso ocorre quando as nossas atitudes não estão de acordo com o ideal do que queremos ser. Esse sentimento, portanto, não é algo irracional que nos invade. Ele possui sempre algum sentido. A raiva sobre algum aspecto do relacionamento fala algo da nossa vontade de mudar. Pode ser de mudar o outro, de mudar a si mesmo ou mudar a dinâmica da relação, ou seja, ambos mudarem reciprocamente.

Aqueles que não sentem tanta raiva não necessariamente são mais felizes do que quem sente. Pode ser que quem não sente raiva apenas está conformado com a situação, não acredita mais em alguma mudança. É preciso, portanto, pensar na raiva para que ela não se torne prejudicial no nosso relacionamento. Não nos prejudique e prejudique quem está ao nosso lado.

Fina e Rica