Tudo isso no fim de semana que passava com seus dois meios-irmãos, Pietro, então com 3 anos, e Cauã, com 11 meses. Os responsáveis tentaram, depois, simular que havia sido um acidente, mas acabaram sendo presos e condenados — ele a 31 anos e ela a 26 (veja o quadro nas páginas 32 e 33). É difícil imaginar dor maior que a de enterrar um filho. No caso de Ana Carolina, a situação tinha ainda vários agravantes, como a pouca idade da menina, a brutalidade do pai e da madrasta e a enorme exposição pública do caso.
Com os desdobramentos da investigação, que incluíram revelações da perícia, a prisão preventiva e entrevistas dos suspeitos em que alegavam inocência, a narrativa da tragédia era acompanhada diariamente pela TV. “A comoção das pessoas me dava força. Muitos choravam como se tivessem perdido o próprio filho”, lembra Carol, como é chamada pelos mais próximos. Havia gente fazendo plantão na porta de sua casa e na da delegacia. Flores foram depositadas em frente ao local do crime.
Não demorou para que Ana Carolina começasse a frequentar o Santuário do Terço Bizantino, do padre Marcelo Rossi, na Zona Sul. Ela subia ao palco e, em algumas ocasiões, era puxada e abraçada pelas pessoas. Causava uma aglomeração a ponto de precisar sair pelos fundos. Na época, estava com 24 anos. Sua gravidez não havia sido planejada e o relacionamento com Alexandre tinha chegado ao fim logo depois do nascimento da bebê. Ela custou a acreditar na participação dele no crime e mergulhou em uma torrente de perplexidade e sofrimento. “Chega uma hora em que a dor sufoca de tal forma que você precisa da ajuda de um profissional”, diz