As duras críticas de Romeu Zema a Flávio Bolsonaro abriram um debate entre lideranças e parlamentares no PL acerca das alianças estaduais da sigla com o Novo, especialmente no Sul do país. Há quem defenda uma suspensão dos acordos feitos até que os presidentes nacionais dos partidos sentem e conversem sobre a relação dos dois pré-candidatos à Presidência da República.
A perspectiva é de que o PL não fará nada “no calor do momento” nesta semana e esperará para avaliar melhor o cenário. Portanto, ainda não há uma definição — e nem mesmo consenso sobre o que fazer. Dentro da equipe de Flávio, por exemplo, há quem defenda manter as alianças já costuradas normalmente.
No Rio Grande do Sul, PL e Novo oficializaram uma aliança em torno da pré-candidatura de Luciano Zucco (PL) ao governo estadual. Já em Santa Catarina, a chapa estadual envolve o governador Jorginho Mello (PL) com Adriano Silva (Novo). Por fim, no Paraná, Deltan Dallagnol (Novo) pretende sair a uma vaga ao Senado com o apoio de Sergio Moro (PL), que deverá concorrer a governador.
O debate interno no PL começou diante de que, na avaliação de parte de integrantes do partido, Zema passou do ponto em suas críticas a Flávio, após a revelação das mensagens deste com o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro — com cobrança de dinheiro que seria destinado a um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Para uma ala de parlamentares do PL, é inaceitável que um pré-candidato concorrente, mas também do campo da direita, tenha atacado tão duramente Flávio, sobretudo quando ainda havia discussões acerca de Zema compor a chapa como vice.
Em vídeo publicado nas redes sociais na quarta (13), Zema disse que ouvir Flávio cobrando dinheiro de Vorcaro é “imperdoável”, além de a situação ser “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.
“Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, acrescentou.
A fala de Zema foi um cálculo eleitoral do político apostando em atrair os eleitores de direita descontentes com a atitude de Flávio, mas não contou com consenso nem mesmo dentro do Novo.
O presidente do diretório do Novo em Santa Catarina, Kahlil Zattar, divulgou nota em que afirma não ter havido alinhamento prévio com Zema e sua equipe, embora defenda a continuidade das investigações relacionadas ao Banco Master e a instalação imediata da CPI da instituição financeira liquidada. Ainda, considera que o vídeo do mineiro foi “divulgado de maneira precipitada e desnecessária pela equipe de comunicação de campanha”.
Zattar reafirma que a aliança entre Jorginho Mello e Adriano Silva “permanece sólida, baseada em diálogo, convergência de princípios e compromisso com resultados”.
Outro fator de desgaste entre os partidos foram críticas do deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro, a Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ex-deputado federal, e Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL. Salles se sentiu preterido por caciques bolsonaristas em meio a disputas de candidaturas ao Senado na direita paulista.
Há no PL quem defenda, inclusive, uma cobrança de eventual pedido de desculpas de Salles, o que parece ser bastante improvável de acontecer pelo andar das farpas públicas.
CNN